quarta-feira, 16 de julho de 2014

Naufrágio


E os dias maus, meu caro? Onde estão eles? Bem diante dos nossos olhos.
Embarcamos, finalmente. Estamos todos no barco indo em direção ao que o Pai quer, porque decidimos confiar a Ele nossas vidas e a direção do barco. Ele dita o rumo e nós simplesmente seguimos. Não importa a distância, o tempo que vamos levar, os dias de sol e chuva que passarão diante dos nossos olhos: estamos com Ele e nada mais importa.
Mas estamos em um barco, no meio do mar, sujeitos a tempestades. Grandes tempestades.
Acho que as tempestades são os dias maus que sabemos que existirão em nossos breves dias aqui.
O dia está lindo, correndo tudo bem, mas o céu não avisa ninguém quando vai enegrecer. O tempo fecha a cara e não podemos fazer nada. Mal acostumados, pensamos que sobre o tempo teremos controle, afinal, temos o controle de tantas coisas. Mas a tempestade vem, o barco parece partir ao meio, e naufragamos.
Ah sim... Jesus nunca disse que impediria o naufrágio. 
Tantos naufragaram. Nós também iremos. A chuva nos alcançou agora, estamos afundando, a pressão da água parece que vai estourar nossos ouvidos, é difícil voltar à superfície pra buscar um pouco de ar. Mais um pouco, perderemos a consciência e tudo o que irá respirar dentro de nós são essa tristeza e esse medo absurdo do que virá.
 Mas uma hora eu e você acordaremos na beira da praia, em terra firme, com o sol sob nós, e quando levantarmos os olhos ainda nos acostumando com a claridade, veremos os pés do nosso rabino que tanto caminhou na praia. 
Ele nos espera depois do naufrágio, em terra firme. 
Comeremos e beberemos com ele, cantaremos ao anoitecer sob a luz de um fogueira, dormiremos ouvindo Sua respiração ao nosso lado e, depois que tudo isso passar, voltaremos a caminhar e a naufragar e a encontra-Lo em meio a toda essa confusão de sermos e estarmos aqui, simplesmente.

Até quarta, se Deus quiser!

May Freire

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